terça-feira, 18 de novembro de 2008

Inversão de papéis.

Posso dizer que jamais esperei,tão pouco quis,e nunca imaginei.[pelo menos é o que me lembro agora] Não teve premeditação,nem armação,nem vontade,menos ainda clima.Enquanto a memória armazenar,vou me perguntar como tudo pôde acontecer tão naturalmente,numa quietude no meio do barulho,num balanço solitário meio dividido,e sem a surpresa que deveria [mesmo] existir ali.Daí o dia amanheceu e eu estava vendo normalidade por todos os cantos,parecia coisa habitual,estranhamente natural.Mas a tarde chegou e o que eu via era outra coisa,com toda a complexidade que não existirá antes.Me recusei a questionar-me até onde deu.E o deu não durou muito.Fiquei esperando um outro sentimento,porque naquele instante só existia perplexidade.O outro sentimento veio,foi a angústia acompanhada da culpa.Mais angústia do que culpa.A consciência ainda estava pesando a culpa.Mas de 10 em 10 minutos eu penso ‘que se dane’.Eu só sei que agora o peso não é só na consciência,é também no órgão que pulsa.Porque lembrar de gestos,conversas e reparar no conjunto foi[é] um erro.E no meio daquele barulho,das pessoas,mesmo com sono eu comparei[e comparei]e na hora o resultado parecia tão forte e verdadeiro.Senti muito quando descobri que minha certeza mentiu pra mim,tão dissimuladamente.Mas essa briga eu deixo pra depois.Por 12 horas eu soube exatamente o meu lugar,mas a notícia chegou e trouxe a dúvida[Agora eu acho que sei,desconfio].E conheço o suficiente pra saber,que eu sou nada mais do que a blusa que aquece hoje,porque a preferida foi pra lavanderia.E ainda posso ser menos,como a terceira marca de cerveja que escolheria se as 2 melhores estiverem em falta no bar.E ainda sei que existe uma grande incompatibilidade entre mim e o que atrai,e muito mais entre mim e o que encanta.E eu não deveria entrar nessa onda de realidade-e-zero-auto-estima,já que o que eu precisava pensar mesmo é num plano que me faça lidar bem com tudo isso e voltar a normalidade das primeiras 12 horas,onde tudo parecia até banal. Sei superficialmente das histórias,mas sei o quão intensas são.E eu acho que até pensar em figurar nessa história agora é quase como dar-me corda pra me enforcar.E sabendo também que nessa,nenhum dos 4 sairão ilesos.[Mal]Acabei de sair de uma chuva ácida é loucura pensar em outra.É,pode não ser.Mas nada me garante,e eu só me permito querer a partir do momento que se dêem os primeiros passos.Não dá pra começar numa história começada,cheia de reincidências e tormentos,não quero fazer parte disso.Só aceito sendo eu,outro começo,bem resolvido.[E convenhamos Mariana você não tem nada pra aceitar,se coloque de novo no seu lugar] E é medo sim,frio na barriga,e hoje já causou borboletas no estômago moderadamente.Agora vou sentar e assistir os próximos capítulos,me fazendo presente sutilmente sem interferir,como no teatro.Adoro novelas mexicanas mas nessa não quero figurar...

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